Um estranho começo
para um indefinido fim
para um indefinido fim
ela beijava a própria boca
ele beija a outras bocas,
ambos não consentiam o peso,
se amavam,
não negavam,
mas erravam,
insistiam,
brigavam,
choravam,
sofriam,
reconciliavam-se e
prometiam não errar,
a fidelidade estaria presente
já que o amor estava escondido
entre os bordéis e os pincéis,
dentro dos pecados carnais de ambos,
ele a apunhalou
ela não revidou,
apenas chorou,
arrumou suas trouxas e um dia se foi,
ele sentiu o peso,
tentou voltar,
o mar estava fundo
e não dava pé,
virou as costas
e entregou-se a tudo que sempre desejou
mas o que ela sempre impediu,
o tempo passou
ela voltou,
próximos eles ficaram,
não mantiveram as aparências,
mas mantiveram o mesmo toque
o mesmo beijo,o mesmo olhar,
o mesmo receio e o mesmo medo
mas nunca o mesmo sorriso,
os pecados voltaram,
ela não aguentou,
tentou por um fim drástico -apenas para si mesma,
de diversas formas ela tentou
e consequentemente adoeceu,
a tristeza era tanta,
a dor era nítida
que não havia semblante para suportar,
misteriosamente um dia ela morreu
partiu sem adeus,
carregando a angústia mais profunda
sobre um amor nunca sincero,
ele sentiu a perda
mas nunca mudou,
o dia de sua morte foi um pouco triste para ele
foi o único em que o cafajeste chorou
Para Frida Kahlo que ontem completou 105 anos de vida e nos proximos 5 dias iremos lamentar os 58 anos de sua curiosa sua morte e e talvez tambem para Diego Rivera, o grande espinho cravado em sua pele em anos, uma mancha que atirou-se em seus quadros e tirou-lhe a vida.

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