terça-feira, 7 de agosto de 2012

Todos os meus dias ruins em um 5 de dezembro

O mundo é feito de boas e más pessoas, as diversidades são infinitas.
Algumas pessoas nasceram com o dom para música, outras criaram uma habilidade para o esporte. Há pessoas que estudaram bastante e hoje habitam cubículos. Pessoas também saíram de cubículos sem estudar e hoje gozam sem interrupções cotidianas. Há pouquíssimas pessoas que não conheceram a tristeza. Há pessoas que abriram lojas, bateram carros, escreveram versos. Há pessoas que foram presas ou tornaram-se militares. Há pessoas que cresceram na marginalidade e tomaram um rumo distinto.
Eu não sei em qual desses tipos me encaixo. Nasci pobre e sempre fui - um pouco - triste. Não tive dom para música, nem para o futebol - minhas maiores paixões.
Nunca fui bom em cálculos, nem tão bom assim fui com as mulheres, mas sempre mantive uma comigo.
Habilidade ou dom algum evita dias tristes, nada, aliás, os evita. As vezes eles somem , como aconteceu comigo. Vivi 36 dias de alegria em razão de um amor platônico e outros feitos. Mas um dia eles voltaram, eis como:
Era um domingo, 5 de dezembro de 2010, dia do vestibular. Para todo mundo ou para muitos, esse fora um dia especial, mas para eu foi um dia marcante do mesmo modo.
Vaguei por trinta e seis  minutos em  um ônibus vazio para fazer a prova. Ouvia Chico Buarque quase sempre e evitava pensar em seu time.
A coisa mais triste em ter feito aquela prova de vestibular é que eu sabia que nunca faria aquele curso. Estaria prestando vestibular apenas para não agir como vagabundo e definitivamente assumir minha falta de rumo nessa vida.
Após concluir a prova retornei para casa de ônibus(outra vez), agora ouvindo Tim Maia e relembrando que minha amada iria partir em 4 dias.
Para piorar, quando cheguei em minha rua e olhei para casa de meu amigo, lembrei que até o natal ele iria embora, pois seu pai divorciou-se de sua madrasta.
Naquela ano o meu mengao foi mal, mal demais, mas superei isso ao encontrar uma paixão.
Quando abri a porta de minha casa, vi o filme daquele ano passar em mim. Enxerguei o calendário na parede do corredor e vi que na quarta-feira teria o exame final de matemática e eu iria reprova. Olhei para o quarto de meu pai e o vi assistindo a TV, vendo o fluminense sendo campeão brasileiro.
Pra quê mais ?

Habilidades e méritos não evitam dias ruins. Eles podem desaparecer por muito tempo, mas podem voltar e explodir em um dia só.
Creio ser parte de uma prova disso.

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