terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O apocalipse da poesia

As tábuas dos bárbaros
foram pregadas
sobre o corpo celestial
da humanidade,
isolando os devaneios
de flores e de vinho

Esvaziaram os poços
de lágrimas de cada corpo,
e os abriram e carregaram
em sacos de papel;
línguas, cordas, globos e
uns poucos orgãos

Ninguem chorava,
ninguem sorria,
ninguem podia gritar

Das tábuas
fizeram muralhas,
era o fim dos dias

Das orelhas não arrancadas,
se ouvia o correr
de um rio
quase seco

Não se sabe ao certo
se era água doce ou
fluidos lacrimais
que tomavam aquele
vasto percurso

O que se sabe,
é que não havia mais vida,
o que era belo estava morto,
e o trabalho da vida
fora todo jogado
em buracos e
cobertos com terra vermelha
ou arrancados á navalha
afim de perpeturar
os gestos de truculência
por mais vinte séculos na terra.


Tentarei até cair!

Boa quarta-feira!

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