Desde que sai do ensino médio julguei não mais gostar das pessoas, nem me apegar á elas.
As pessoas parecem ser legais, facilmente te convencem que também te adoram e sem querer partem de seu cotidiano.
Ao começar minhas aulas na faculdade encontrei diversas pessoas que fizeram parte dos meus anos no ensino médio. Levaria horas para citá-los e ainda mais para descrever suas estéticas e versões de como nos conhecemos. Emrelação aos relatos que tenho feito e a quem essas palavras são direcionadas, posso apenas citar que todas me trazem a lembrança daqueles dias.
Novas pessoas foram surgindo e de longe fui me comunicando. No primeiro dia de aula havia um rapaz que também lerá Dostoievski, achei ela simpático e bacana,.Logologo com ele iniciei uma boa conversa.
Uma menina que sentava no começo da sala tambem era muito simpática e querida, não tinha lido Dostoievski, nem nada, mas falava pelos cotovelos(assim como eu).
Essas eram as pessoas a quem me apeguei nos primeiros dias, o suficiente para não me sentir só e imprestável.
Após o trote estudantil me senti um pouco mais abobado e leve. Não sabia porque.
Três dias depois saquei que tava amarradão numa garota do segundo ano.Sua sala era ao lado da minha e quase nunca tinham aula.
Ela sempre ficava do lado de fora,em frente a porta da minha sala e eu como sentava no fundo da sala tinha uma boa visão de seus movimentos ao lado de seu amigoenrustido.
Durante essa semana, a seguinte e a seguinte, fique o tempo todo na cola dela -sim,eu estava chato- .Esperava ela sentadinho no banco, esperando-a descer do ônibus. Sempre tinha uma novidade para ela ou um livro novo ou um poema ou até mesmo um chocolatinho. Ela tornou-se meu brilho da noite. Pensava nela o tempo todo. Queria mais que tudo ter ela em meus braços e ouvir a sua voz doce falando sobre literatura infanto-juvenil.
Um dia em uma sexta-feira vi ela saindo mais cedo de sua sala para pegar o ônibus. Arrumei meu material e sai atrás dela .Precisava entregar alguns de meus poemas. Afinal ela pediu para ver alguma coisa minha -escrita.
- Carlota - disse eu
- Oi ? - respondeu ela sem saber quem chamou seu nome
- Queria te entregar meus poemas - disse eu com um pouco de vergonha
- Ah,obrigado! - disse Carlota com um sorriso doce e um pouco sem jeito também
- Espero que goste.Tenho que ir
- Tchau.Dorme bem - disse Carlota
Dei um beijo em seu rosto e caminhei confuso para pegar o ônibus .Entreguei a Carlota três poemas e no final da folha estava escrito assim:
" PS: Talvez eu tenha escrito um desses poemas pra você...não,melhor não...é, melhor não"
Queria deixar subentendido meu sentimento, caso ela nem tenha sacado o quanto eu estava afim.
Na segunda-feira ,encontrei ela lendo sozinha nos bancos de concreto. Cheguei quietinho e dei um cutucão de leve em seu braço.
- Ai! Que susto - disse Carlota com os olhos arregalados.
- Ah, desculpa, não queria assusta-la - disse eu com a cabeça baixa
- Não foi nada, tá tudo bem.
- Tá tudo certo contigo ? - perguntei segurando em seu braço - Leu meus poemas ?
- Ah,li. Todos lindos. - disse Carlota doce como nunca
- Que bom, Obrigado - disse eu dando um beijo em seu rosto e partindo.
Aquele "lindo" que ela falou pareceu ser tão doce. Provavelmente ela notou o quanto eu a queria e o quanto estava me esforçando para que esse sentimento corresponde-se.
Confesso que fiz de tudo, digo, o método mais sincero pra tê-las em meus braços. Um pouco antes da páscoa, eu lhe dei um coelhinho de chocolate em agradecimento a todos os livros que ela me deu para o 1º ano. Junto ao chocolatinho havia um bilhetinho falando sobre esse meu sentimento. Foi minha última cartada e ela não aceitou. Quase me inundei em lágrimas na sua frente, o "não" dela soou feito um general francês encaminhando-me a guilhotina.
Os dias de páscoa foram muitos tristes para mim. Meu tio do sul do estado veio passar a páscoa aqui e bebíamos quase o tempo todo. Toda hora eu me culpava por ter me apegado aquela menina. Passei mais de um ano tão tranquilo e ela surgiu só pra confundir minhas horas, sujar meus versos e me deixar calado.Também não podia culpa-la. Fui eu quem me apeguei á ela.
O tempo foi passando e nós fomos nos afastando. Ás vezes acha isso tão bom, não ter que pensar nela. Outras vezes sentia-me um covarde por ter desistido dela. Achava que larguei muito cedo e esse sentimento era passageiro.
Um dia peguei o ônibus mais cedo da faculdade para casa.A minha aula de filosofia sempre acabava antes das 22:00 horas e nessa época eu tava bem tranquilo.Não queria saber de bar, nem de filosofia, nem de longas conversas até perder a hora.
Peguei o ônibus na frente do campus e parti em direção ao terminal centro. Esquecei meus fones de ouvido, então sentei tranquilo com meu livro- As ilhas da corrente,Ernest Hemingway- e fui lendo até chegar na estação central onde encontrei um colega do segundo ano, muito tranquilo e estudioso, chamava-se Leonel. Moramos no mesmo bairro e uma vez ou outra pegamos ônibus juntos e conversamos sobre literatura brasileira e língua inglesa.
- Você cursa inglês fora ? - disse eu
- Sim, faço - respondeu Leonel
- Achei que nem gostasse de outra língua
- Aprecio bastante. Agora que sou funcionário publico pretendo sair do país.
- Esse ano ?
- Não esse ano não dá mais - disse Leonel sorrindo - Não soube ?
- Do quê ?
- A Carlota e o Felipe vão para Portugal.Passaram no teste
- Poxa, bacana
Naquela momento senti-me tão surpreso e tranquilo em saber que aquela menia iria partir e em breve não iria mais ter que ficar pensando e me questionando sobre ela. Achei tão estranho eu agradecer por alguem partir, mas preferi não pensar mais nisso.
O ônibus chegou em minha rua, me despedi de Leonel, desci e caminhei tranquilo até em casa.
Chegando em casa preparei uma xícara de chá para retomar a leitura, estava mais lúcido. Horas depois pausei a leitura, o silêncio da sala tinha algo a me dizer. Fechei os olhos e senti que era só caminhar e aguardar.
Boa semana para todos.Em breve,trarei novidades,sobre o presente incontente,os dias com marasmos cercado de surpresas,que um dia,podem superar o passado.
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