segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Outra vez na rua

As luzes que iluminam o céu apagaram-se, mas as da cidade não. É noite, passado a uma da manhã e eu estou outra vez vagando em uma rua deserta ocioso sob a luz de velhos postes.
Essa rua é tão conhecida quanto a situação em que estou: sem ônibus, esperando um táxi na noite para levar-me para casa.
Há pouco eu estava com minha garota em um bar comendo e bebendo e rindo dos erros da vida. Agora ela já se foi e já deve estar em casa com seus cães, deitada no sofá,assistindo TV. Eu sei o que ela está fazendo e isso me deixa bem.Vê-la sorrindo faz sentir-me útil, angelical e atencioso.
A noite está tão calma e leve para uma sexta-feira. Não há ruído de motores nem alto-falantes com músicas de baixíssima qualidade. Nisso uma certa paz contempla o meu momento. O silêncio é a coisa mais essencial para descobrir os segredos de si mesmo. No céu as estrelas me olham discretamente e parece que elas sabem o quanto me sinto bem nesses momentos.
Sento no paralélepipedo de uma calçada e começo a flertar os edifícios, as luzes, a cidade. Tudo a minha volta está repleto de luzes artificiais e todos estão acordados,s orrindo e brigando, iluminados por uma lampada fraca.
Independente do momento eles estão tranquilos, pois é sexta-feira e no sábado ninguém irá trabalhar.
Tiros meus olhos das casas e deixo tão distante quanto as estrelas lá no alto, só vendo pontos luminosos por toda parte. Porra! Bem que o táxi poderia atrasar ou melhor nem viro. O momento está tão leve e livre de tudo, que ficar em casa sob um teto não me fará falta nenhuma.
Não consigo preocupar-me com nada. Escola, trabalho, amigos, isso tudo é passageiro. As pessoas preocupam-se demais com trabalho, resultados e companhia que nem surge em suas cabeças que os melhores momentos são de solidão, assim como esse.
Quando decido abrir minha mochila e apanhar meu caderno para rabiscar um poema, vejo uma moto se aproximando, mesmo antes de começar a terceira linha descubro que aquela moto é meu táxi e é assim que vou tornar pra casa.
Por instantes pensei que a sensação agradável da noite estaria finalizada afinal, eu iria pra casa relaxar com um chá e um livro no sofá. Mas não. Voar na traseira da moto com o vento na cara tornou-me feliz por completo em meu âmago. Aquelas ruas em que um dia percorri trancado em um carro ou me rastejando bêbado, agora eram uma trilha feita por tigres e eu era um pássaro recém fugido da gaiola e que agora voava com paz e ousadia.
Por todo o resto do percurso conclui que por mais triste e ruim que seja a vida, vale pena vivê-la. Todo segundo é sagrado e nada poderá ser desperdiçado. O desespero é o que impede de construir fortalezas.
Ao chegar em casa acertei a conta com o motóra e entrei. Havia uma xícarade chá me esperando. Seria a hora habitual da minha leitura em paz, mas aproveitei a xícara de chá e deixei a obra de Dante Alighieri de lado e decidi colocar estes momentos de solidão, teorias e reflexão no papel. Aqui está.


Saudade de uma prosa sem compromisso!

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