O tempo passou
e as feridas do pássaro azul
já cicatrizaram de vez,
sentia a paz na brisa
e sobre as telhas vizinhas
cantava o seu longo
canto de solidão
O pássaro colorido
sentia na pele
as dores da queda,
o seu tombo
parecia ter sido
mais doloroso
do que o pássaro azul
O seu corpo estremecia
o dia todo
e não pensava em outra coisa
"aquele tombo
é reflexo
das minhas escolhas
e falta de juízo,
ora veja,
como poderia eu,
um pássaro colorido
inútil
sem asas,
ensinar a voar um
celebre pássaro azul
com dias de estrada"
Tinha a convicção própria
que suas feridas
certa hora iriam curar-se,
mas a cima de tudo que
um dia poderia voar
Precisava de alguma maneira
reconciliar-se com
o pássaro e azul,
e foi o que fez
Começou a rastejar até seu ninho,
fazendo juras de fidelidade,
jurando ser sua eterna companhia
em dias de chuva
Pelas tarde vazias,
o pássaro colorido
cantava ao ouvido
do pássaro azul
que não preocupava-se
nenhum pouco em
abraçar aquele corpo
destruido por dentro
e por fora
mas o tempo e a companhia,
fez deste um indeciso,
que com o tempo
pensava duvidosamente
em aceitar as investidas
do pássaro colorido
e voar livre
sem medo de cair
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