quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O doce do primeiro amor

Pedro era um menino magricela e guloso que morava com sua tia desde a separação de seus pais.
Suas amizades nunca duravam muito, pois sempre mudava de casa, ora com seu pai, ora com sua mãe.
Ao ir morar com sua tia isso mudou um pouco. Fez amizades que duravam mais que três semanas e no meio delas até criou uma paixão escondida por Patricia, uma menina ruivinha que andava de bicicleta perto da casa de sua tia.
Brincava com seus novos amigos durante a semana. Quase todo sábado e domingo um de seus pais lhe arrancava para viajar, o que deixava Pedro muito chateado, pois preferia bater bola, esconde-esconde, pega-pega do que fotografar esculturas e paisagens.
Patricia tinha 9 anos, em breve faria 10. Pedro sabendo disso, já armava alguma surpresa para sua menininha dos cabelos de fogo. Não seria muito difícil surpreendê-la, pois Patricia era tímida e pouco conversava com Pedro, mas ambos se entendiam muito bem. Havia simpatia e afeição.
Parte do plano de Pedro se corrompia. O aniversário de Patricia era no sábado e na quarta o pai de Pedro ligara afirmando que iria leva-lo para o sitio de um velho amigo.
Mesmo insatisfeito Pedro não abortara o plano. Deu um jeito de desculpar-se com Patricia - que pouco se importou - mas mesmo assim ao telefone lamentou a ausência de Pedro. Este por sua vez já tinha tudo armado.
Através de uma amiga de sua vizinha Fernanda, Pedro soube que Patricia iria ao parque de diversões há 9 quadras dali. Iria comemorar seu aniversário junto de suas coleguinhas.
Pedro gostou da idéia mais estranhou. "Porque comemorar um aniversário duas vezes ?"
"Ir ao parque comemorar com as mesmas amigas que estariam na festa em sua casa ?"
Pedro não quis pensar muito e logo prontificou-se de organizar tudo para que o plano saisse certo.
Na sexta-feira Pedro arrumou-se impecavelmente. Tomou banhos duas vezes, colocou uma roupa novinha, passou perfume, gel no cabelo. Tudo do mais bonito e do melhor. Tudo para impressionar Patricia.
Saiu de casa sorrindo de orelha a orelha.
Quando aproximava-se dos arredores do parque, Pedro entrou em uma floricultura para comprar-lhe rosas brancas. A vendedora era uma senhora muito simpática, que ao notar a elegância do menino ofertou-lhe deliciosas trufas de chocolate para acompanhar as flores.
Pedro sendo guloso e esperto comprou duas. Uma para Patricia, outra para si mesmo.
Antes mesmo de chegar ao parque, Pedro comeu sua trufa.
Junto as rosas e a trufa, Pedro entregaria um bilhete com as seguintes palavras:
" Toda vez que você passa em minha rua,
meu terreno se transforma em um canteiro"
 Encontrara essa frase em algum livro velho de seu pai.
Pedro, que caminhava a passos leves, não contava com a terrível presença do vento que ameaçava despedaçar suas flores. Ajeitava de modos diferentes, colocando a mão na frente, ou deitando as pétalas. Quase nada adiantava.
" Oh vento cruel,
não leve esta flor
não arranque suas pétalas
que são para o meu amor"

Pedia em prece o pobre menino lutando contra o vento.
Para o alivio de Pedro o parque já estava próximo e logo cedo já avistava Patricia. Iria surpreendê-la caminhando em sua direção e entregando-lhe aquelas doces rosas.
Pouco mais de 10 metros de Pedro até Patricia, eis que a ventania piora. No mesmo instante, Pedro vê um menino mais velho, de uns 12 anos, levando Patricia pela mão para o outro lado do parque. Pedro ao ver tudo isso, sentiu a barriga doer, os olhos a marejar e o lábio a tremer.
Imediatamente no mesmo instante da triste cena, o vento derruba, desmancha as rosas de Pedro que apenas as vê destruídas no chão.
Em meio aos destroços das rosas, havia um papel cor de caramelo, muito chamativo. Pedro sorriu, ainda tinha o chocolate.


Boa quinta-feira!



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