sábado, 4 de maio de 2013

Meus 20 anos

Não vi espécie alguma
florear entre meus dias
de maio á maio

Não ouvi sussurros
de donzelas virgens
desnudas em
seu próprio encanto

Relutei contra
o sabor do meu
próprio mau
e percorri mares
em busca de qualquer
reflexo das estrelas

Nada achei

Só em uma poça
de águas turvas
vi meus olhos
ressurgindo de
um inverno perpetuo,
reluzindo um brilho
fragmentado
- não sei qual -
sobre todas as coisas
presentes em maio

Tornou-se assim
prateado o orvalho
de minha infância,
verdejante o mato seco
do quintal,
atingíveis os sonhos
esquecidos,
eternizados, os lábios
femininos

Tornei-me assim,
alegre em minha
permanente tristeza,
enclausurado, encantado,
inquebrado, engajado
- um pobre poeta
de metáforas

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