domingo, 20 de outubro de 2013

A herança

Minha amada, se frente ao espelho teu rosto não demonstrar claridade,
basta ir até a janela - se o dia e o tempo estiverem escuro,
pode ser que alguns pássaros retornem da sombra
e os palhaços e saltimbancos enfestem as calçadas,
- há nele algo como clarões de nuvens, que nem mesmo
os sábios, físicos e fanáticos saberiam descrever.

Em teu rosto, há o resto do que um dia fora o paraíso,
um tom alegre, um gosto doce, mas não exagerado
uma canção eterna, para o fim das guerras, só não o fim da fome

Pobre é o homem, que de audácia passas por ti de tarde,
ontem ou ontem-ontem, e nem deparas na imensidão de cores
que teus traços refletem nos vidros de automóveis
e nas vidraças encardidas onde passam as semanas

Um dia, fui pessimista, á ponto de festejar os dias cinzas e chuvosos
pelo simples fato de que no resto no mundo, todos também estariam
tristes e enojados da vida, como eu até pouco era.
mas quando ia-me á beira mar observa ondas e ondas, tristes quebrando em minha frente.

Refletia neste mar azul enegrecido uma luz estremecedora, dá qual meus olhos fugiam, pois
não era a lua, nem estrelas, tão pouco existia farol ou faroleiros por ali.

Só reencontrei aquele tom iluminado, quando ao fim de um verão, teu rosto cruzou na direção perdida em que meus olhos viviam.
Hoje meus olhos ainda se perdem, mas agora lamentam se o céu tornasse escuro após o café da manhã.
Não há o que chorar, não o que dizer, o dia têm metamorfoses e se quebra em mil partes, mas só teu rosto é capaz de muda-lo.





 

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