segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Tijolos imóveis

O mundo se distorce em metamorfoses constantes;
de manhã um jardim morre,
á tarde um edifício desaba
e no crepusculo, uma ponte é inaugurada

Pouco importa ás pessoas se a obra é aqui ou colá,
se aquela rua ainda leva ao banco ou
se naquela esquina ainda vendem enlatados,
o tempo é uma canção sem fim, que ritmiza
e descompassa os dia - não há tempo para dançar,
mas os dias assim se alternam,
ora repetidos, ora desiguais

Em meio á paisagens e escombros construí minha morada
á sangue e fogo, com sabores azedos, cachorros perdidos e ipês amarelos
um tanto frágil a primeira vista, mas resistente
e comovida com  a vaga morte dos homens

Quanto mais se vive, mais se repete, mais se perde
o jardim pode renascer aos poucos
e o edifício se elevar em tijolos,
o rio pode tomar a fúria do mar e desmantelar a ponte
em menos tempo que o dia oferece, quem se importa ?

Enquanto isso, raríssimas pessoas sintonizam com a canção do tempo
e na dança dos dias, minha morada permanece imóvel.

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