Criança pequena chora. Arrasta seu mascote pelo quintal feito de musgos e pedras . Em aventuras e descobertas criança é tão grande que se chora em algum canto é porque o mundo lhe faz mal.
Criança não sorri, não chora. Frente ao espelho vê um universo inacabado á sua espera. E Pela janela da cozinha ao fim da tarde, nota as mudanças de seu mundo: o mascote com preguiça, os brinquedos amarelados, a infância partindo pela rua de trás onde cresceram as amizades, o anoitecer estrelado com ar de triste e a mocidade chegando pela outra esquina, a mesma por onde todos os amigos se vão. A infância já vai indo, mas a mocidade, breve, será bela.
Criança já é grande, cresceu como aquelas árvores em bosques da cidade; sem frutos, em abandono, viva e verdejante somente nos dias de sol. Do mascote, do musgo, da infância, permanece a saudade. E toda vez que bate a nostalgia, a criança luta "sou grande, não posso brincar. Felicidade só depois de velhinho."
Criança grande ainda chora, finge querer o mundo que lhe deram, finge bem. Quando pode, larga tudo. Vai á rua, a velha rua onde os amores e os amigos nasceram. Corre pelo concreto onde um dia fora musgo e pedra. Deita no jardinzinho que a titia solteira ainda cuida. Recosta a cabeça no muro. Se o dia é de sol, ela sorri. Festeja o desenterrar de uma alegria infante. Se é chuva, pouco importa. Deixa chover. Deixa a chuva deslizar pelas vestes cor-de-verão. Camufla seu choro na chuva, para que lágrima por lágrima caía sobre aquele musgo, onde um dia seus sonhos de menina foram plantados. Espera sentada, aqui ou acolá, para que suas lágrimas inocentes sejam férteis, e aqueles sonhos, brotem para uma outra realidade.
Felicidade é só questão de ser.
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