segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Retrato

Ainda hoje, sussurra contra o muro
tuas frases ingrata de revolta,
tens medos que atravessam décadas,
mas os medos, tu nunca atravessas.

Choras por quem já se foi
e não aceitas os outros que virão,
temes que pousem em teu jardim
e que de tua flor façam pão.

 E os amores que tanto esqueces,
desenterras, não beija, não olha
não está afim de amar ?

O mundo cego a tua volta
negou-te um consolo e
abrigo nas horas escuras
- criaste um para ti,
propenso e desigual.

Agora que tu sabes tua senda
faz dos erros tua ventura,
foste tão alto a cada abismo
e não há porque lamúrias,
já conheces tua face.

Até o teto tá de ponta cabeça porque você demora.

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