segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Revelações de Salvador

Eu tinha convicção plena de que
nossas conversas poderiam dar certo
e que as nossas noites de insônia,
eram reflexo de tudo o que lemos
e ouvimos nessa ultima década

Dediquei-me a te compor canções,
a sorrir sem jeito pelo vidro do carro,
a querer-te sem mudar o teu jeito e
tuas formas de julgar seres como eu

Não queria mais que tua satisfação ao me abraçar
e ao partir ver teus dentes reluzindo
tudo o que te disse e escrevi na  noite passada

Pense bem, não sou velho, nem sou alto,
tenho quase duas décadas e nenhuma jornada,
no começo não pude te oferecer diamantes ou garrafas importadas

Tudo o que tinha eram minhas histórias,
meus cachorros e minhas conclusões precipitadas
sobre pessoas doentes,
mas eu pude cuidar do teu resfriado,
pude velar teu sono,
pude me contentar com a noite fria sem você,
pude me orientar com os barulhos
que não me permitiam cantar em teu ouvido

Quando certa noiteo relógio marcou 19 horas,
e tudo começou a escurecer,
eu corri pelas escadas
em direção ao teu quarto,
nem de longe queria ver
ou ouvir teu choro,
ao chegar encontrei você deitada,
tranquila, olhando a noite
e as luzes da cidade

Cheguei a tempo de não ver o mau,
de não ouvir lamentos,
de aliviar meu desejo de proferir palavras,
palavras repetidas que outrora não fizeram efeito,
mas que na hora do escuro
puderam silenciar tuas lágrimas


Toda beleza é triste, boa terça-feira!

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