quinta-feira, 21 de março de 2013

Efemerismo dos olhos

Estende as campinas em
volta do caminhar febril
de um servo do medo

Caminha a passos lentos
a beira do lago,
nada lhe olha

Flores enfeitam sua
visão solitária
- de beleza notável
elas não lhe prendem os olhos

Ele passa com as pálpebras na
direção do lago,
as flores aumentam,
lhe cercam os pés,
os olhos, o rumo,
ele continua sem vê-las

Nunca parou sua
caminhada tortuosa
para olhar feitos
do bom Deus

As flores lhe fecham o caminho,
não há como prosseguir sem fita-las

Só uma pouca visão do céu
e águas turvas

Ele olha o céu e
nota que as beldades silvestres
lhe fitam há muito,
veneram seu olhar gélido que
penetra em algo desconhecido

Ele cessa os passos,
o medo se perde e vai embora

Dentre as flores do campos
nasce um narciso que
ao olhar para o lago
enxerga Deus.


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