Dois cães vira-latas observam com cautela o rastejar de alguns pássaros magricelas em um deserto
de areia lixo e brumas - na busca por algo que possam comer.
Eles não se ajudam, mas gostariam. Rastejam separados.
É uma busca individual sem partilha alguma.
Há amor apenas em asas e no rebento distante.
Aos poucos eles se cansam do altivo egoísmo diante do mar que é frio, que torna a manhã fria e sem amor, do sol quente que poderia aquecer, e não aquece os olhos do cego, partindo sobre a escuma em uma suposta busca por amor.
Após longas voltas na orla de restos, os pássaros partem e assim deixam os cães mais a vontade para comunicar um suposto amor oculto em suas patas.
Eles não se olham, são da rua, sem dono e sem coleira.
Suas luxúrias são o amor. Suas guerras são por viver
e suas busca são pela carne.
Amar é fora de cogitação,
Viver é desafio
e carne é essencial.
Sabendo que o amor é um devaneio distante, mas que numa esquina pode lhes tocar, eles não o procuram.
A orla está vazia, apenas lixo.
Enquanto o outro lixo(o humano) repousa em suas realidades, eles aguardam este despertar para que possam revirar uma lata, ou implorar com os olhos de amor ausente um pedaço de vida que lhe faça a esperança de amar, em seu peito, mais presente.
Despreocupados com amar, eles fitam o mar, apenas o mar.
E o sol que não surgiu as gaivotas, ilumina aos poucos a maré já calma formando um corredor dourado sobre um tapete de ondas cadetes em direção ao canto da praia onde há mais amor.
Esperando uma eterna ligação ;~
Bom sábado!
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