O primeiro dia de trabalho é longo e exaustivo como todo o período escolar, desde o maternal até fins do ensino médio. As horas passam devagar, tudo enojar. Os passos, os sons, o silêncio, os pensamentos. É quase um novo primeiro dia na escola.
A única vontade que nos invade é a de esperar o fim do turno, ir para a casa, pensar e descansar. Aliviar todo medo e tensão que nos envolveram pelas horas passadas.
Rola também um questionamento no caso do emprego: " Preciso ou não preciso deste trabalho ?"
No meu caso em particular: preciso.
Nem tanto por dinheiro, e sim por não mais ficar na ociosidade comovente das tardes de segunda a sexta-feira.
A primeira semana passou rápido e desde a primeira hora do primeiro dia, mantive meu coração e meu pensamento ligado na minha amada menina.
Ao chegar a primavera, infelizmente ela irá estudar em Londres por três longas semanas. Ainda é março, mas parece que essas três semanas já chegaram no primeiro dia e ela foi além de Londres.
Xangai, Tóquio, Taiwan, Marte, Júpiter, Imensidão Celeste, outra vida.
Meu coração que permaneceu por anos em um gelo há pouco entrou em contato com o fogo e ardeu por encontrar doces lábios femininos.
Pouco acredito que poderei um dia salva-lo dos dias em que passei a fio, sem nem amar a eu mesmo.
A semana que passou, mostrou-me frente a um espelho de medo, que eu possuía um coração bom. Puro doce e verdadeiro. Acolhedor de todos os seres, mesmo aqueles que lhe deram chutes nas costas.
Sexta-feira após a aula, fui direto para a casa de minha menina amada.
Embarquei em um ônibus que iria parar três ruas antes de seu prédio.
Chovia muito e começava a fazer frio.
Sentei no meio do ônibus. Ouvia música e fitava as gotas que escorriam pelo vidro da janela.
Alguns bancos a frente um rapaz negro, de barba por fazer e boas vestes, olhava para trás, como se procurasse algo pelo ônibus.
De inicio achei que me encarava a fim de briga. Mas como carregava uma enorme mochila, achei ser um turista procurando o ponto onde descer.
Suas olhadas para trás, que casualmente me fitavam, tornavam-se constante a cada esquina.
Por segundos pensei sentir medo de estar sendo perseguido.
Não tenho nada a oferecer ao furto, a não ser meu celular novo.
A maldade humana perpetua que meu medo salta em meus olhos.
Baixo a cabeça e rezo.
Ele se levanta do banco. Para o meu alivio, enfim ele vai descer.
Mas não, permanece em pé e desce junto comigo.
Chovia muito, ele desceu e foi sem guarda-chuva.
Eu parei e armei o meu alguns segundos de distância atrás dele
Ele se foi em meio a chuva, atravessou uma esquina e olhou para trás.
Ainda olhava pra mim.
Atravessou outra e continuava olhando.
Acelerei meus passos até ele me perder de vista.
Em meus fones de ouvido rolava o famoso hit da banda mais bonita da cidade.
E o seu refrão ecoava dentro de mim
"Essa é a ultima oração, pra salvar seu coração".
Aliviado por estar mais próximo ao prédio, tirei o fone do lado esquerdo, e o refrão prosseguia.
Entrei no prédio bem rápido.
Vi um carro de faróis altos encostando.
Subi o elevador e pensei.
" Poderia mesmo ser a ultima oração pra salvar meu coração frio de tempos passados"
Abri a porta do elevador e logo entrei em seu apartamento.
Ela sorriu pra mim.
Meu coração vibrou ao vê-la.
Há muito eu a amava.
Outra vez :~
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