segunda-feira, 12 de novembro de 2012

3x2

Em uma manhã de 2011 acordei um pouco triste. Não sabia o que fazer.
Liguei o rádio e pus a água para o café. Senti que o que era meu, não era meu. E o que eu não queria, me pertencia, como aposentar alguns hábitos, um desapego sobre minhas virtudes e uma metamorfose em meu âmago .
Olhei entre a cortina e pela janela vi uma chuva torrencial caindo sobre a grama do meu quintal. No rádio tocou uma música que dizia "para onde isso vai nos conduzir a partir daqui? ".
Naquele momento sentei-me ao sofá a contemplar as gotas caindo,e senti que há alguns km, na mesma cidade, havia uma garota levantando da cama para trabalhar, mas ela não o queria.
Levantou-se e foi a janela, teve a mesma visão que eu. Voltou a cama, sentiu uma tristeza, uma nostalgia carregar seu ânimo para o passado. Ela quer permanecer na cama, enleada entre os cobertores, desejando voltar a sua infância. Ver o pai correndo no parque, o cachorro alegre, a mãe de bom humor. Passar as manhãs como aquela, jogada no sofá da sala, assistindo a corrida maluca, com um copo de nescau e várias waffers.
Trabalhar e segurar as responsabilidade não é com ela. Embora exerça tudo com êxito, ela nunca quis nada disso. Sempre quis segurança e conforto, um certo carinho, que talvez nunca teve. Uma atenção especial, que apenas um anjo pode lhe dar.
A chaleira começou a borbulhar e apitar. Corri, fiz o café e apanhei o jornal e logo na manchete estava "O destino ganhou mais um" . Na foto um acidente na br, tão corriqueiro que nem me espantei. Continuei folheando o jornal passando sem ânimo pelo esporte e apenas por curiosidade voltando a matéria do acidente. Procurava uma ligação entre a menina com sono em sua cama e eu perdido em meus pensamentos sobre mim mesmo.
Entre as linhas do texto, encontrei uma assim " o dedo do destino pode apontar para qualquer um ".
Sem dúvida eu estava tendo um pequeno devaneio como sempre. Olhava pela janela e via a grama enxarcada com lama e pó, tentava enxerga-la através disso e tudo era especulação. " Para onde isso vai nos conduzir ? " - indagava-me.
A menina continuou na cama e chegou tarde ao trabalho. Com os olhos um pouco semi cerrados, ela deu aula até a uma tarde e a chuva não cessou. Almoçou em um fast-food, pois não queria perder mais tempo como perdeu pela manhã. Nem ela mesmo acharia razão para tanta eficiência. Talvez em seus vinte anos viu tanta gente perdendo chances, tanta gente inconsequente esquecendo-se das responsabilidade, que a única maneira de tudo sair quase perfeito é não perder tempo e não se apegar ao que é passageiro.

Bem, a vida dessa menina continuou do mesmo jeito e a minha também. Ambas mudaram tão pouco.
Pode ser curioso ou interessante, mas quando ela se conformou com os seus dias - e eu também - o tal dedo do destino apontou para nós e hoje carrego o seu suor comigo. Pode ser  que seja apenas direcção, mas como dizia aquela canção "nós não podemos dizer que nunca tentamos".




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