terça-feira, 27 de novembro de 2012

O primeiro selvagem

Quando você chegou
eu estava completamente
preparado para a solidão

As tintas e os papéis
me serviriam de alento
para ficar calado
por horas

Não havia tempo
para olhares,
veja que
demorei semanas
para notar
tuas provocações

Quando você se aproximou
eu avancei sem medo,
fiz do toque do meu corpo ao teu
um contato selvagem

Meus dedos penetravam
e separavam com fúria
teus cabelos,
sem controle
poderia até arranca-los

Tua boca sedenta e quente
não desgrudava por nada
da minha,
e meus olhos não abririam
nem mesmo se eu permitisse

Foi estranho,
mas por instantes,
consegui sentir tuas
correntes sanguíneas,
vagamente correndo
e circulando todo
teu corpo suado

Nunca havia
sentido algo assim,
sua corrente
era densa
e contínua,
como um rio
após a tempestade

Era curioso
senti-la
tão perto de mim,
a ponto de quase
morrer

Só consenti
o que tu sentias
porque era eu
quem a fazia
correr.



Boa terça-feira!




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