Com os olhos marejados um homem caminha na noite fria á passos leves, despretensiosos.Ele não enxerga nada alem do verde-negro das matas noturnas ao seu redor.
Sua vida só teve suores e lágrimas, trabalhou feito burro e nunca se lamentou disso.
Era hora de dizer adeus e partir carregando dúvidas. Não se admirava mais com a vida.
Um ruído surge de muito longe e torna-se mais nitido a cada momento.
É o trem que ele havia perdido rumo a casa de sua mãe.
Até o tempo tinha o traído.
Caminhou mais alguns passos e milhões de morcegos voaram sobre sua cabeça. Eles não queriam seu sangue, pois naquelas veias secas e saltadas só havia cansaço e dor. Seu único desejo era repousar em um sono de anos para despertar somente quando as pessoas tornassem sábias e a vida deixasse de ser uma luta.
Um uivo é ouvido do alto do cume seguido outros dois uivos diferentes.
São alguns lobos ou coiotes celebrando a caça da carne e a façanha de uma vitória.
Até os brutos não necessitam de afeto para ser feliz.
Seus pés doíam. Oor aquela noite não era mais necessário caminhar. Tirou seus sapatos, esticou uma coberta sobre a relva plana, desabotoou a calça, tirou a casaca e cobriu-se com ela e repousou a olhar a mata,o cume, a noite, as luzes. Seus olhos ainda choravam e sua vida ainda não encontrava a solução. Eram seus últimos dias de vida ou seus últimos dias de uma vida passada. Agora pensava positivo, em mudanças. Iria trocar de nome, o alcool pelo chá, a cidade pelo campo, a pobreza pela alegria.
Em breve iria queimar suas roupas.
Lembrou-se de um livro aonde um jovem cometeu um crime e se atormentou por isso,então sofreu um castigo até se regenerar e livrar-se disto.
Assim como o personagem do livro, não queria carregar nada da outra vida. Sabia que só a dor apaga um erro e a alegria é o único sentimento que apaga um pesadelo.
O mundo, a vida e a noite calaram-se. Sentia um pouco de frio, cruzou os braços dentro da casaca e tentou se aquecer.
Antes de dormir ouviu um certo barulho de água, o céu ainda brilhava, não seria chuva nem a neve.
Era o rio correndo junto ao tempo, junto a suas lágrimas. O tempo era seu algoz e amigo, mas para se gostar do tempo é preciso de paciência...de paciência.
Depois dali um novo dia iria nascer...e uma vida também.
Malditos trabalhos!
Boa terça-feira!
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